≡ Menu

Por que não escrevo mais?


Essa pergunta surgiu de todos os lados, nos últimos dois anos, quando minha produção na arte de escrever diminuiu sensivelmente. Com isso, venho adiando responder a essa pergunta, também.

Primeiro, não é verdade que deixei de escrever. Quem anda pelo Facebook e Twitter sabe muito bem o quanto escrevo nessas porcarias úteis. Mas me tornei mais amargo porque me vi obrigado a sucumbir a essas geringonças. Ando falando, digo, fazendo ousadas asseverações sobre o que não entendo, ou seja, de política, especialmente em um país onde ela é exercida sob as práticas de mentir e enganar. Como me disse um ex-político que virou morador de rua lá em Sorocaba: “Não fique triste, ninguém, nem eu, entende porque é tudo mentira nessa área, como em tudo por aqui”.

Também é fato conhecido o quanto nossos blogs foram desprestigiados em favor dessas horrorosas mídias sociais. Mas pelo menos, ficou claro qual era o verdadeiro interesse da macacada, ou seja, relacionamento. Isso é importante, embora vivamos em uma terra onde mana banana e água, e todo mundo diz em prosa e verso que somos os reis do relacionamento, provavelmente mais uma mentira. Na verdade, mostramo-nos carentes de afagos, beijinhos e sexo. Engana-se quem pensa ser diferente para os caras que buscam as igrejas ou a autoajuda, em minha opinião.

Evidentemente, a partida precoce de nosso filho me abateu profundamente. Uma vez um aluno meu do seminário me perguntou porque eu tinha tantas olheiras. Seguramente eu não esperava uma pergunta imbecil dessas e isso ocorreu enquanto ele ainda vivia. Por mais que revire a minha memória não me lembro o que respondi, provavelmente fui irônico com ele, sem nem ao menos considerar que a pergunta poderia até ser um gesto de bondade. Mas não penso ou acredito que esse fato terrível que se abateu sobre nós seja boa desculpa para a interrupção das minhas escritas. Escritores são seres muito complicados e, via de regra, quanto mais se deprimem, melhores escritores tornam-se. Isso se não se suicidarem antes. Fique tranquilo, com já declarei antes, sou suficientemente covarde para ser capaz de pôr fim à minha vida, quase inútil.

Para ser franco, a melhor parte de escrever não é ler um texto depois de tê-lo acabado e regozijar-se com minha conhecida capacidade inacreditável de produzir algo tão incrível de bom. Aliás, isso pouco se me dá, pois dificilmente gosto do que escrevo, a não ser quando leio muito tempo depois e me pego pensando: “Nossa, isso até parece bom!” O que mais importa mesmo é saber quantos desavisados leram meus textos, em que pese minhas declarações enfáticas de que escrevo para mim mesmo. Copiei isso do Brabo, sem cerimônia. Talvez ele o faça, de verdade. Há muitos indícios nessa vida de que o cara caminha resoluto para ser um dos raríssimos monges em terras brasilis. Embora seja bom continuarmos cautelosos, ele é brasileiro e escreve como poucos.

Dizem que Deus criou a melhor terra do planeta aqui e depois colocou nela o pior povo da Terra. Coitado de Deus, não haveria acusação mais injusta, insana e incorreta do que essa. Foram os portugueses, ajudados pelos holandeses, alemães, franceses, norte-americanos, italianos, espanhóis, japoneses mais as igrejas evangélicas e católica os verdadeiros culpados, se não me engano. Todos eles enviaram para cá a escória, com meus avós e bisavós inclusos. Deu nisso, entregamos a Copa e jogo contra a Alemanha e nem sabemos por quanto, e caminhamos a passos largos para entregar o resto, também. Ninguém mais, nem os cubanos ou os russos seriam capazes de tamanha picaretagem. No ano que vem, ficarei muito triste se a Portela (a minha escola de samba predileta) não vier para a avenida com o enredo “Transamos com os alemães” e, dessa vez, com as baianas vestindo sós as famosas saias, sem nada da cintura pra cima.

Depois os caras querem que nós ainda continuemos escrevendo como se nada houvesse acontecido.

Mas ainda acalento o desejo de continuar escrevendo e muito. Escrever é igual gostar de muié, diz um outro amigo escravo das duas, da escrita e das muié: “Quanto mais apanha ou é enjeitado mais a gente gosta”. Não será a falta daqueles quinhentos ou seiscentos leitores dia que irão me derrotar, bando de traidores e amantes de mídias fáceis onde não é preciso pensar para ler. Sei muito bem que vocês leem essas porcarias, mas é no meu blog que estão pensando. Isso sim é traição deliciosa.

Capricornio PB

{ 2 comments }

Projeto Coração Valente – Cartilhas

 

Capricornio PB

{ 0 comments }

Teologia e Doçura

Depois de um tempão, que nem calcularei para não me irritar, volta o GruTaVe, com um vídeo de última hora e aquela vontade de postar vídeos com assiduidade, nem que seja um por semana, ao menos.

Esse vídeo não ficou nada bom. Problemas com o som e já vou avisando que você precisará todo o volume disponível para ouvir, lembrando que minha dicção não é das melhores, parte porque devo ter algum defeito na boca e parte (talvez a maior) porque uso isso a meu favor. Muitas coisas que digo ficam melhor se as pessoas não entenderem direito. É isso. Ai vai:

 

On the day after, tratarei de regravar e substituir essa coisa. Problema é que meu roteiro só tinha duas palavras. O resto foi tudo improvisado, como bom brasileiro que sou. Espero que no outro o improviso fique bem melhor e audível.

Capricornio PB

{ 0 comments }

Os Anticristos chegaram

 


Foto: O Anticristo sem os disfarces

Creio ter chegado a hora de escrever, falar, refletir, propagar e usar todos os nossos meios disponíveis para colocar as coisas em seus devidos lugares. Nos últimos vinte anos, temos assistido o apodrecimento de vários setores da sociedade. Alguém dirá: “mas a vida é assim, mesmo”, pois está em constante movimento e as mudanças acontecem naturalmente. Tudo bem, até aí, estamos de acordo. Entretanto, quando você se depara com a deterioração, o enferrujamento, o desmanche das estruturas da vida não estamos mais diante de fenômenos naturais, mas de algo extremamente preocupante e perigoso.

A história da civilização registra uma imensidão de equívocos do ser humano. Nossa raça vive na base da tentativa, erro e acerto. Os erros serviram para nos levar adiante, na maioria das vezes. Claro, ideal seria não termos errado nunca, mas isso não era possível, em muitos casos. Entretanto, neste momento de nossa existência sobre o planeta Terra há uma ameaça tremenda ao ser humano e não estou me referindo à energia atômica e suas bombas maravilhosas, mas a algo muito mais temerário, imagine, ou seja, o próprio ser humano, nosso pior e mais cruel inimigo, se não me engano ou seres disfarçados como tal.

Há um senhor, chamado David Icke e ele vem estudando e propagando sobre quem seriam os senhores desse planeta. Por uma combinação de fatores ele acabou adotando a prática de chamar essas pessoas, também consideradas por ele como os nossos piores inimigos, de reptilianos. Segundo o Mr. Icke, esses caras têm características comuns, mas a mais evidente seriam os olhos de cobra, embora alguns podem não os ter. Para entendermos melhor, é muito provável que o Mr. Icke use essa história de reptilianos como um eufemismo para o diabo, ou seja, quando ele se refere aos reptilianos, estaria querendo dizer: capetas, demônios, warevis. Bom, não pretendo entrar nessa história. Se você desejar, clique no link e seja feliz.

Meu negócio aqui é um pouco diferente, mas não posso deixar de mencionar a presença dos tais reptilianos do nosso dia a dia. O Mr. Icke menciona muitos deles em suas palestras e livros, mas não chegou ainda ao requinte de incluir os reptilianos presentes em solo menos nobre, comparado ao solo onde ele vive. Mas eles existem e estão por todo lado, nas igrejas onde costumam ser os pastores, padres, enfim líderes; na política onde ocupam a maioria dos cargos, da presidência às câmaras de vereadores, passando pelos ministérios, os mais variados tribunais, autarquias, prefeituras governos estaduais, etc.; na mídia, onde aparecem como atores, apresentadores, diretores, autores, ancoras, etc.; na escola, geralmente na pele de professores, pedagogos e psicólogos.

Gondim

Estevan

xuxa

 

Fotos: Aécio Neves, Ariovaldo Ramos, Willian Bonner, Cáio Fábio, Dilma Rousseff, Ed Rene, Andres Sanchez,

Dunga, Ricardo Gondim, Jô Soares, José Dirceu, Lula, Lou Mello, Edir Macedo, Silvio Santos,

Marin, Eduardo Cunha, Marina Silva, Marta Suplici, Neymar, Patricia Poeta, Lewandowiski,

Estevan Hernandes, Faustão, FHC, Renan Calheiros, Raul Gil, Roberto Carlos, Chico Buarque,

Malafaia, Marcelo Rossi, Marilia Gabriela, Roberto Jacob, Hortência, RR Soares, Dráuzio Varela,

Sônia Abrão, Sônia Hernandes, Tite, Agnaldo Silva, Walcyr Carrasco, Xuxa, Marilena Chauí, Gilberto Gil.

 

Essas fotos acima, por mais que alguém possa imaginar serem alguma acusação relacionada ao tema desse post, são apenas sugestões de possíveis anticristos presentes no planeta Terra, tendo como única base o critério do David Icke, ou seja, os “olhos de cobra”. Critério pelo qual nem eu escapei, caindo na malha fina da turma dos reptilianos capetistas, por isso. Embora, caso eu seja um deles, serei enquadrado entre os rebeldes ou rebelados, é claro. Mas, repito, não posso afirmar que qualquer um desses caras sejam reptilianos, embora a maioria aí, é muito suspeita, pra mim.

Seguramente, há milhares de reptilianos diabólicos andando por aí. Pessoalmente, incluiria, como critério para ajudar a reconhece-los, o fato deles adorarem os holofotes, detalhe que faz parte da estratégia de subjugar os quase indefesos filhos de Deus a seus intentos. Mas não se engane, os reptilianos dominam e utilizam estratégias múltiplas, sendo capazes de tudo, inclusive pousar de anjos bons, se for preciso, com aureola e tudo.

Bom,  já está mais do que na hora de citar a Bíblia aqui. Jesus Cristo alertou sobre vários perigos capazes de antecipar e/ou viabilizar a presença sacana do (s) anticristo (s) entre nós. Mas o ser humano não deu muita bola, exceto pontualmente aqui e ali. Jesus disse em alto e bom som que árvore ruim não pode dar bons frutos e não lhe demos ouvidos nem olhos. Na minha opinião, o nazareno estava nos prevenindo do perigo futuro. Os caras são verdadeiros terroristas, ladrões, mentirosos, assassinos, sem caráter, etc., e o povo os segue, baba-lhes ovo, escuta suas infindáveis ladainhas, bíblicas ou marxistas, canta musiquinhas, vira robô de mídias sociais para defende-los de possíveis ataques, dão dinheiro até não poder mais para eles, seja em igrejas, partidos, shows, propinas, warevis, e vai por aí. E agora vão reclamar do que?

Ceis tão completamente marcados para ir direto pro inferno. Pode procurar o “666” no seu corpo que você achará. Geralmente eles o colocam na bunda da vítima para não ser fácil de ver. Não me pergunte como eles conseguem fazer isso.

Tão perguntando aqui no Skype se não tem mesmo nenhuma escapatória. Tá bom, mas direi uma única vez. É pegar ou largar. Quem não aproveitar essa última chance, não sairá nunca mais da fila de acesso ao inferno, depois disso. Nem queiram imaginar o que vem a ser o inferno. Garanto ser muito pior do que qualquer pessoa já conseguiu imaginar ou descrever. Se fosse só fogo, enxofre, etc., seria moleza perto do que realmente é. Então segura aí o último bilhete anti-inferno:

Arrependa-se, abandone o pecado (sim, os dez mandamentos que Jesus resumiu em dois, Amar a Deus sobre tudo e ao próximo como a si mesmo).

Um beijo nas suas carecas.

De um anticristo rebelde

Capricornio PB

{ 2 comments }

Últimos Dias

 

…”Essa foi a segunda vinda de Cristo para os discípulos. Tendo recebido a segunda vinda de Cristo, que também é chamada de “batismo do Espírito Santo”, esses homens simples e comuns como nós se puseram em campo e viraram o mundo de cabeça para baixo, realizando milagres que ainda influenciam o curso da história humana. E, daquele dia até hoje, no decorrer da história, onde quer que as pessoas estivessem prontas para aceitar a mensagem e lutar por essa experiência, a segunda vinda de Cristo esteve ao alcance daqueles determinados indivíduos. (Leia o Primeiro Capítulo dos Atos dos Apóstolos)”…

Atingimos agora um estágio na história do mundo em que a raça humana como um todo ou, pelo menos, uma grande maioria de gente de todo o tipo e raça está pronta para a segunda vinda de Cristo. E é porque o povo em geral está pronto para receber essa coisa maravilhosa que está começando a acontecer. Deus está além do espaço e do tempo, e o poder de Cristo que vem de Deus que existiu por toda a eternidade, esteve sempre pronto para a raça humana, se ela estivesse pronta para recebê-lo.

Jesus previu que, à medida que a Antiga Era chegava ao fim e a Nova Era se aproximava, todos os tipos de acontecimentos externos seriam vistos na face da terra. E isso está ocorrendo, dramaticamente. O destino humano dobrou uma esquina. Tivemos as maiores guerras da história. Tivemos as maiores revoluções políticas da história. O antigo império Tzarista, o império germânico, o império britânico, o antigo império chinês, (e até o império brasileiro n.t.) todos foram destruídos. Monarquias foram derrubadas. Toda a Europa foi virada de cabeça para baixo, assim como a maior parte da Ásia e da África. Jamais houve antes uma revolução política tão vasta. Isso acontece por causa da mudança na mentalidade da raça, tornando possível a segunda vinda de Cristo, que está acontecendo agora nos corações de centenas de milhares de pessoas.

Jesus previu isso tudo e a Bíblia lhe dá o nome de “últimos dias”, significando o término da Antiga Era. Não significa que o nosso planeta Terra vai se incendiar ou desaparecer, mas significa que as antigas ideias limitadas com relação a Deus e o homem estão chegando ao fim.

*Esse texto faz parte de uma coletânea de palestras realizadas por Emmet Fox em livro “Planejando o Seu Futuro”, cap. ” A Segunda Vinda de Cristo”. Ed. Record.

Capricornio PB

{ 0 comments }

A QUEDA PARA CIMA

Isaltino Gomes Coelho Filho

Levei o livro de Diogo Mainardi, “A queda”, em uma viagem de dois dias pelo interior do Amapá. Pensei que ele me ocuparia nos momentos vagos. Mas li-o em duas horas, porque é atraente e fácil de ler. O tema é o nascimento de seu filho, Tito, que por um erro da dottoressa F, médica que estava com pressa de sair do seu trabalho, pois era sábado, nasceu com paralisia cerebral. O menino não fala, não tem gestos coordenados nem anda normalmente. Mainardi narra os 424 passos que ele conseguiu dar, uma vez, sem cair. O livro se estrutura ao redor desses 424 passos, cada um deles comentado com elementos da cultura de Veneza, onde Tito nasceu.

O livro comove, desconcerta, e é uma aula de cultura, um passeio da Veneza renascentista, via hospitais e médicos norteamericanos, até Ipanema, onde moraram alguns anos, antes do regresso a Veneza. Neste tour cultural passa-se por Ezra Pound, Auschwitz, Dante, Abott e Costello, U2, Proust, Freud, Humpty Dumpty, Rembrandt, Pietro Lombardo, Giacomo Leopardi, pintores, escultores, Shakespeare e muitos mais. E nos passos, um pouco mais de Tito. Comoveu-me uma frase de Mainardi. Ele andava com o filho por Veneza, e este pisava em falso, indo a cair. Diz ele: “Quando isso ocorria, eu era tomado por um sentimento de felicidade. Impedir uma queda de Tito em Veneza dava um sentido à minha vida” (p. 114). Ele passou a viver em função do filho deficiente e se sentia feliz em ser-lhe útil. Sua missão cósmica e existencial era cuidar do filho. Este era o sentido de sua vida!

Comparei-o ao programa de extermínio nazista dos doentes e inválidos que foi estimulado por Alfred Hoche, que calculou no livrete “O aniquilamento da vida inútil de ser vivida” o custo de um “idiota” para a Alemanha. Era o bastante para manter uma família de cinco pessoas. Os inúteis eram um estorvo ao III Reich. Até 1 de setembro de 1941 foram mortos 70.273 inválidos, na Alemanha, o que permitiu uma economia de quase 250.000 reichsmarks (moeda da época) diários. O relatório diz até quantos quilos de batatas e quantos ovos foram economizados com esses inúteis. Hitler aplicou a teoria de Hoche na eliminação de todos os não produtivos, parasitas da Alemanha. O alvo era uma nação eugênica. Como alguns pretendem hoje, com a ideia de eutanásia indiscriminada, que é mais econômica e emocionalmente menos desgastante que cuidar de deficientes, doentes e terminais.

Também pensei: “Como ele conseguiu escrever um livro assim?”. E por que só vim conhecer um livro desses agora? Se o tivesse lido há quarenta anos, aprenderia muito do seu estilo literário. Como ele estruturou a obra desta maneira? Além da aula de cultura, uma aula de estrutura literária. Como se aprende vendo quem sabe fazer!

Voltemos a Tito e à realização de seu pai em viver em função dele. O nascimento de um retardado (o termo é de Mainardi) nos choca e desgosta. O rabino Kushner teve um filho que nasceu com progéria, envelhecimento precoce. O menino morreu com 14 anos, aparentando ter 80. No livro em que tratou do assunto, mesclando-o com a vida de Jó (o título em português é “Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?”), Kushner comentou que as pessoas se indagam “Por que Deus permitiu isso?” ou “Como Deus deixa que isso aconteça?”. Diz ele que são perguntas incorretas. A certa é: “Que tipo de sociedade devemos ser para que pessoas assim se sintam bem, protegidas e cuidadas?”. Não é questionar o porquê do problema, mas criar condições para minimizá-lo. Não é transferir a culpa para Deus, mas assumir a responsabilidade do problema.

Queremos um mundo de felicidade, como se o universo existisse para nos tornar felizes, e Deus fosse nosso servo, a quem damos ordens e cuja função é nos alegrar e dar coisas boas. Agimos como crianças mimadas e mal educadas que não querem ser obstadas. Não sei se foi o título de um livro ou um comentário de capa que vi, nestes termos: O universo conspira para que você seja feliz. Como uma pessoa pode ser tão fútil? Como há gente que compra livros assim?

O mundo nos é hostil (Gn 3.17-19). O bom mundo de Deus (Gn 1.31) foi pervertido pelo pecado, pela nossa Queda. A criação está corrompida e geme debaixo do poder do mal (Rm 8.19-22). Mesmo sem usar a Bíblia, qualquer pessoa de bom senso sabe que o universo não liga a mínima para nós. É uma infantilidade a busca de felicidade, o desejo de que tudo colabore para nosso bem-estar, e que há milhares de anjos aguardando uma ordem nossa para nos servir. É preciso parar de ser criança em busca de prazer e pensar que Deus nos pôs neste mundo com uma missão muito mais ampla que a busca de gratificação e de lazer.

O verdadeiro sentido da vida não nos é externo ou alheio a nós. É dado por nós. O sentido de minha vida, como indivíduo, tem sido, há cinquenta anos, desde minha conversão na adolescência, servir a Jesus. Rejubilo-me em servi-lo, e me assusto quando penso que um dia poderá vir a debilidade física e não poderei servir meu Senhor. Sou feliz por ser

servo, por ser pastor, por trabalhar para Ele. Não troco isso por nada. Mesmo nas “rebordosas” da vida tem sido jubiloso servi-lo.

Mainardi não me soa evangélico. Kushner é judeu. Mas eles entenderam o que muitos dos nossos não entenderam. Quando nossa vida encontra uma causa a qual servir, pessoas a quem amar e a se dedicar, ela é riquíssima. Lembremo-nos de Jesus: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou…” (Jo 4.34). E de Paulo: “Nem por um momento considero a minha vida como valioso tesouro para mim mesmo, contanto que possa completar a missão e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus” (At 20.24). A vida é se dar.

Um cristão de verdade não espera conspiração do universo para ser feliz. Nem presume ter milhares de anjos sob seu comando. Quer ser útil, quer ajudar, quer fazer alguma coisa. Enfada-me a futilidade espiritual de tantos hoje! Se guardassem sua futilidade consigo, eu as privaria de minha rabugice. Mas compõem “canções” (é assim que se chama agora), escrevem artigos e livros falando sobre como Deus prometeu nos fazer felizes neste mundo e como devemos exigir nosso direito à felicidade. Amor, dedicação, serviço, engajamento, uma causa que seja raison d’être, nada disso é falado.

O livro de Mainardi se chama “A queda”. Mas é uma queda para cima. Da dor de um filho que será deficiente até à morte, à descoberta de que esta é sua missão, cuidar dele. Como Kushner: a questão não é filosofar ou teologar, queixando-se, mas perguntar-se: “Onde eu me encaixo nesta história para melhorar a situação?”. Porque é assim que age um cristão: “Senhor, não tenho queixas nem quero choramingar. O que eu faço para ser útil?”.

Capricornio PB

{ 0 comments }

Cartilha do Coração Valente

Cartilha

Olá tudo bem?

Criei uma campanha a fim de arrecadar fundos para a edição e impressão de seis mil “Cartilhas” contendo Informações Básicas para cardiopatas congênitos e familiares”, a serem doadas, gratuitamente, nos principais centros de atendimento dos cardiopatas congênitos e sua colaboração é essencial.

Acesse (link:http://www.kickante.com.br/campanhas/cartilha-de-informacoes-basicas-para-cardiopatas-congenitos) e confira mais informações sobre essa nossa missão, como você poderá participar e a recompensa que preparei para você!

 

Conto com seu apoio!

Abraços,

 

Lou Mello

Capricornio PB

 

{ 1 comment }

Os pacificadores

De olho nos acontecimentos, causa-me perplexidade o fato de termos perdido nossa missão de pacificadores em algum lugar do deserto. Né não?

O “pastô tá no faicibuqui” toda hora e em vídeo, deitando agressividade contra políticos, homossexuais, muçulmanos, católicos, entrevistadores de TV, uarevis, é o que ouço aqui no lugar do santo dos santos.

Sei não, mas essa gente parece que não aprende nunca. Será que eles pensam e/ou acreditam que Deus vai abençoar essas atitudes agressivas, seja lá quem for o vosso inimigo?

Certamente que não. Fomos chamados para pacificar. Lembram das Bem Aventuranças? Chegou a lê-las alguma vez? Pô meu, a hora de fazer isso passou faz tempo, cara. Olha, deixe-me fazer uma sugestão aqui, não dê mais oferta, dizimo, o que seja para pastor que não esteja pacificando no ministério eclesiástico.

Ninguém será reconhecido como filho de Deus se não for um pacificador. Mas o contrário é verdade. Veja o texto bíblico de Mateus 5:9, se não acredita em mim. Diz assim: “Bem aventurados os pacificadores porque serão chamados filhos de Deus”.

O apóstolo Paulo adverte que uma pessoa se condena naquilo que acusa, então esses “profetas” com dedo em riste são muito estranhos, para dizer o mínimo. Certo?

Sabe, causa-me imenso espanto esse negócio de cristão de esquerda, de direita, ou o raio que o parta. Em Cristo não temos partido nenhum, somos de Cristo e ponto final. Capitô Mané?

Cara, é um tal de evangélicos contra católicos, evangélicos contra homossexuais, cristãos contra protestantes, cristãos contra muçulmanos, brancos contra negros, ricos contra pobres, feministas contra machistas e tudo isso vice e versa. “Ceis” sabiam que a mais de dois séculos os caras preconizam a desestabilização das sociedades com a finalidade de colher a revolução e escrevem livros e manuais sobre como fazê-lo? Em todos eles ensinam o caminho da intriga entre os vários grupos sociais.

Sabe como chamamos isso (de ficar revidando as provocações) sob orientação bíblica? Cair em tentação. É meu ou você achou que cair em tentação era só fornicar com a muié do vizinho e/ou ser corrupto? Nada disso xará. Cair em tentação é dar ouvidos ao tentador, seja nisso ou em qualquer outra forma de violência.

Por que eles querem desestabilizar a sociedade? Para seu bem é que não é, meu caro. Eles fazem isso visando se dar bem, querido. Eles e não você, muito menos os pobres, as mulheres, os gays, os doentes, ou seja lá qual for o segmento que eles digam estar protegendo.

De qualquer forma, nosso negócio é fincar o pé na Palavra de Deus e não na jaca e ela diz para pacificarmos, a bíblia, é claro. Chega de engrossar o caldo das provocações e agressões. Nossa missão inclui sermos guerreiros, mas guerreiros pacíficos.

Quem você lembra que tenha mudado a sociedade para melhor? Mandela? Guerreiro pacífico. Martin Luther King? Guerreiro pacífico. Mahatma Gandhi? Guerreiro Pacífico. Jesus Cristo? O rei de todos os guerreiros pacíficos, pois venceu dando a própria vida por todos nós.

Não me venha com aquela bobagem de que Ghandi era indiano. Acho que não, em termos religiosos, pois seu assassino era um indiano. Ele próprio disse: “Se pudesse ficar com o Sermão da Montanha, apenas, dentre os outros livros bíblicos, então diria, sim sou um cristão”.

Olha, você pode ser um pacificador começando no seu círculo. Por exemplo, não curta, não comente ou muito menos compartilhe nada que contenha teor agressivo e/ou alimente contendas entre A e B. Ignore quaisquer manifestações cujo intuito seja agredir e não pacificar, seja lá o lado que for.

Não interessa se a mulher resolveu aparecer na passeata crucificada. Isso foi mais uma provocação de um grupo contra outro, apenas com o objetivo de desestabilizar os dois lados, porque quando dois brigam, ninguém sai ganhando, todo mundo bate e todo mundo apanha, mais ou menos.

O governo não está bom pra você? Quais são as armas que você, sendo cristão, dispõe? Preciso lembrar-lhe? Tá bom, oração, perdão, jejum e boca fechada são as nossas melhores armas. Atos, sós os atos de bondade para com todos, especialmente para com os inimigos.

Em outras palavras, faça amor, não faça a guerra, e não estou falando de sexo, caríssimo. É dar a outra face, meu, como Jesus de Nazaré nos ensinou. O resto fica por conta do Divino e com ele não tem escapatória.

Até eu vou ter que perdoar e nunca mais falar mal do Roberto Jacó, do Ed e dos Ricks. Fazer o que…

Então, vamos nessa? Pacificadores? Posso ouvir um amém, digo, ver sua curtida ae?

Capricornio PB

{ 0 comments }

Um Mestre conhece outro Mestre.

mestre espada

Mestre conhece outro Mestre, não há escapatória.

Hoje, pela manhã, fui com meu filho (Pedro) levar a guitarra dele para uma revisão e conserto em um luthier (Marcos Aquino) indicado pelo amigo Vidal Varella Fº. Na hora das apresentações o luthier olhou para mim e disse, depois de ter cumprimentado o Pedro: e o senhor é o Mestre, está na cara.

Pensei comigo, mestre em que? Só se for o fato de não temer a morte.

Essa experiência me faz lembrar a história de um soldado do exército japonês que procurou um mestre na Arte da Espada para aprender com ele. Quando chegou, cumprimentou o Mestre e  o sábio lhe disse, de supetão: Você já é um mestre.  O soldado ainda tentou convencer o sábio professor de que tal título não era verdadeiro, pois nunca aprendera nenhuma Arte, antes. O sábio insistiu: Que você é um Mestre não há dúvida, falta só saber por que. Vamos deixar o tempo passar e  descobrirei a resposta para isso.

Belo dia, o sábio ensinou uma das praticas mais complexas da Arte da Espada a todos os alunos e, no final, pediu que alguém servisse como voluntário para mostrar a prática aos demais, com ele. Ninguém se mexeu até que o soldado foi a frente e se ofereceu, para surpresa geral. O sábio ficou perplexo e disse: É a primeira vez que um dos meus alunos se oferece para demonstrar essa prática. Então perguntou ao soldado: Você não tem medo de morrer? O jovem militar respondeu: Não, não tenho medo da morte.

Eu sabia, disse o sábio. Você já era um mestre, lembra que lhe disse isso no primeiro dia? Pois é, o fim último de toda Arte (marcial) é perder o medo da morte e ser declarado Mestre. Se você perdeu o medo da morte, então você é, sem dúvida, um mestre.

Só faltou dizer que o luthier Marcos Aquino é um Mestre, sem dúvida ele não tem medo de morrer. Como eu sei? Se você visse o orçamento que ele deu ao meu filho para o conserto da guitarra, saberia porque.  Tô brincando, claro. :)

Capricornio PB

 

{ 0 comments }

Excluido mas não vencido.

Eu trabalho pouco por exclusão mesmo e não por safadeza.

Não estou atrás de esmolas, pois sou suficientemente orgulhoso para evitá-las, mas sou, também, bastante humilde para aceitar ajuda quando o que importa não sou eu, mas alguém que amo e não posso socorrer, por mim mesmo.

Capricornio PB

{ 0 comments }

Politicamente, nada é correto

Por Beia Carvalho*

politicamente-nada-e-correto

Li um artigo do esloveno Slavoj Zizek na Think Big.

Tive a imediata vontade de traduzi-lo para o meu blog. Bad idea. Por quê? Ah, Zizek não é nada fácil de ser traduzido. Só que o assunto me atrai demais: a correção política sempre me incomodou. Mas não tenho os recursos para expressar meus incômodos. Tenho, sim, uma intuitiva sensação de que o “politicamente correto” cheira mal, esconde algo sobre o tapete; é prepotente. E, como Zizek brilhantemente conclui em seu artigo, uma forma arrogante de nos colocarmos acima do outro.

Como eu disse, não é um assunto fácil, e o estilo do professor escrever tampouco me ajudou. Sou teimosa e fiz uma tradução livre. Queria que mais pessoas tivessem acesso a este tema tão contemporâneo. Ainda que bem mais acentuado nos Estados Unidos – o que num mundo globalizado nos afeta diretamente. Quando cheguei ao final da tradução, achei o artigo ainda mais relevante para a audiência do blog do CEOlab.

Deixo, ao final, um link para um de seus vídeos – uma verdadeira aula sobre o destino da democracia e do capitalismo –, que dá conta para o leitor de seus peculiares trejeitos e sua inquieta personalidade. É um filósofo-personagem! Talvez seja interessante assistir primeiro a uma parte do vídeo para conhecê-lo, ou revê-lo, se você já é fã. Fica a dica. Bom proveito!

Slavoj Žižek: Correção Política é a Forma Mais Perigosa de Totalitarismo

É claro que eu não tenho nada contra o fato de seu chefe lhe tratar bem. O problema é se essa atitude não apenas encobre uma real relação de poder, como a faz ainda mais impenetrável. Você distingue muito bem o chefe antiquado, que grita com você e exerce plenamente sua brutal autoridade. De certo modo, é muito mais fácil se rebelar contra esse tipo do que o chefinho super bacana, que acolhe você e quer saber como foi o encontro de ontem à noite, blah, blah, e toda aquela conversa fiada. Nesse caso, fica quase indelicado protestar!

Vou contar uma velha história, que sempre uso para exemplificar claramente o meu ponto de vista. Imagine você ou eu; eu sou uma criança. É domingo à tarde. Meu pai quer que eu vá visitar minha avó. Vamos dizer que meu pai seja um tipo autoritário. Como ele agiria? Provavelmente, diria algo assim: “Tô me lixando para o que você acha; é seu dever visitar a sua avó e seja educado com ela e blah, blah.” Não vejo nada de errado nesse sermão, porque eu ainda não tenho espaço para me rebelar. É uma ordem clara.

Mas como seria o papo do pai pós-moderno-não-autoritário?

Eu sei porque vivi isso. O outro pai pegaria esse caminho: “Você sabe o quanto a sua avó te ama, mas não estou te forçando a ir visitá-la. Você deveria ir só se quiser mesmo.” Aí, toda criança aprende que, por trás de uma aparente livre escolha, há uma pressão muito maior na 2ª mensagem. Porque basicamente seu pai não está apenas dizendo que você deveria visitar a sua avó, mas que você deveria adorar isso. Seu pai está falando como você deve se sentir. É uma ordem muito mais forte que a anterior. E isso, para mim, é quase um paradigma da moderna e permissiva autoridade. É por isso que a fórmula do autoritarismo não é a de “não quero saber o que você pensa, é pra fazer!”. Esse é o autoritarismo tradicional. A fórmula totalitária é “eu sei melhor o que você realmente quer e, pode parecer que estou forçando, mas estou apenas lhe mostrando o que você – mesmo sem saber – quer realmente fazer. Portanto, nesse sentido, fico horrorizado. E há um outro aspecto dessa nova cultura, na qual uma ordem é apresentada somente como um enunciado neutro.

Tenho um outro exemplo que gosto muito, e não vamos nos equivocar. Eu não fumo e sou a favor da punição da indústria do fumo e por aí vai. Mas sou super desconfiado em relação a nossa fobia sobre o ato de fumar. E não estou convencido que ela seja justificada apenas no conhecimento científico sobre os males que o cigarro nos causa. Meu primeiro problema é que a maior parte das pessoas contra o fumo são, geralmente, a favor da liberação da maconha etc. Mas meu problema básico é um só. Veja isso, agora eles acharam uma meia solução, os e-cigarettes ou cigarros eletrônicos. E acabo de descobrir que as maiores empresas aéreas americanas decidiram proibi-los. É interessante saber por quê. A razão não é tanto pela dúvida de que são benéficos ou não. Basicamente, eles o são. Mas a ideia é que, se você está fumando um e-cigarette durante um voo, está publicamente exibindo seu vício e isso não é um bom exemplo pedagógico para os outros, para a sociedade.

Acredito que esse seja um claro exemplo de como algumas éticas, que não são éticas de saúde neutras, mas basicamente penso que é uma ética do tipo “não tenha um comportamento apaixonado”. Fique a uma distância apropriada, controle-se. E, agora, vou chocar você. Eu penso que até o racismo pode ser ambíguo. Uma vez fiz uma entrevista em que eu perguntava como a gente encontra o racismo ultraconservador. Você já sabe a minha resposta. Com o racismo progressivo. Então, ah, ah, o que eu quero dizer? Lógico que não quero dizer racismo. O que quero dizer é o seguinte: sim, claro que as piadas racistas e outras atitudes podem ser extremamente opressivas, humilhantes, e daí por diante. Mas penso que a solução seja criar um clima ou praticar essas piadas de um jeito que elas realmente funcionem como aquela partezinha de obscenidade que serve para estabelecer uma proximidade verdadeira entre nós. E falo isso a partir da minha própria experiência política passada.

Ex-Iugoslávia. Eu me lembro quando era jovem e encontrava pessoas das outras ex-repúblicas iugoslavas – sérvios, croatas, bósnios. A gente passava o tempo todo contando piadas sujas uns sobre os outros. Não tanto contra o outro. Estávamos, de um jeito maravilhoso, competindo com quem conseguiria contar a mais indecente das piadas sobre nós. Essas eram piadas obscenas e racistas, mas o seu efeito era um surpreendente senso de obscena solidariedade compartilhada.

E eu tenho uma outra prova aqui. Você sabia que quando a Guerra Civil eclodiu na Iugoslávia, no começo do anos 1990, e mesmo antes com as tensões éticas de 1980, as primeiras vítimas foram exatamente essas piadas: elas desapareceram imediatamente. Por exemplo, digamos que você vá visitar um outro país. Eu detesto essa coisa do politicamente correto, do tipo, ah, de que comida vocês gostam, quais são as suas expressões de cultura. Eu, não; peço que me contem uma piada racista sobre si e seremos amigos. Dá certo. Pois é, veja essa ambiguidade – esse é o meu problema com o politicamente correto. Não é uma forma de autodisciplina, que permite superar o racismo. É somente um racismo oprimido e controlado. É a mesma coisa por aqui. Vou contar uma maravilhosa história, muito simples. Aconteceu comigo há um ano, bem aqui na livraria da esquina. Eu estava assinando um dos meus livros. Dois homens negros chegam, afro-americanos; não gosto do termo “correto”. Meus amigos negros também não, porque, por razões óbvias, pode ser até mais racista.

O ponto é que eles me pediram para assinar o livro, e os vendo ali eu não pude resistir e fazer um comentário racista. Quando estava retornando os livros a eles, eu disse: “sabe, eu não sei qual dos livros é pra quem, porque vocês negros, como os amarelos, parecem todos iguais.” Eles me abraçaram e disseram, você pode nos chamar de negão (nigga). E quando isso acontece, significa que estamos juntos, na mesma sintonia. Eles sacaram no ato.

Outro problema que tive numa palestra foi com um jovem surdo-mudo que pediu por um tradutor. E não pude resistir. No meio da palestra, diante de umas 200-300 pessoas, eu disse: “o que vocês estão fazendo aí, garotos?” Minha ideia era mostrar que, ao olhar os gestos do tradutor, parecia que ele estava passando mensagens obscenas. O surdo-mudo morreu de rir e ficamos amigos. E uma ridícula repórter me denunciou por fazer piadas com um deficiente. Era como se ela não tivesse visto que havíamos nos tornado amigos. Mas eu sou… espere um minuto. Eu não sou um idiota. Sei perfeitamente bem que isso não significa que nós deveríamos andar por aí humilhando uns aos outros. Fazer isso é uma grande arte. Digo apenas que esta é a minha hipótese. Sem a troca de uma pequena dose de amigáveis obscenidades você não estabelece um contato real com o outro.

Fica aquele respeito frio, sabe? Nós precisamos estabelecer um contato real. Pra mim, é disso que o politicamente correto carece. E a coisa chega a um ponto que fica tão louca como uma piada. Eu confirmei com um amigo australiano. Sabe o que aconteceu em Perth, na Austrália. Não é uma piada, repito. Proibiram o teatro municipal de encenar Carmen. A ópera Carmen, sabe por quê? Porque o 1º ato acontece em uma fábrica de tabaco. Não estou brincando. Só estou dizendo que há algo muito falso sobre a correção. Sei que é melhor que um racismo aberto, lógico. Mas me pergunto se funciona, porque eu, por exemplo, nunca entrei nessa onda de fazer as substituições permanentes no vocabulário. Negões são negros. Negros são pretos. OK, pretos são afro-americanos. Talvez – acho que eles que deveriam decidir. A única coisa que sei é que quando estava em Missoula, no estado de Montana, me envolvi numa conversa de amigos com alguns americanos nativos. Eles odiavam o termo e me deram uma razão maravilhosa: “nós americanos nativos, eles americanos cultos.” E daí, somos parte da natureza. Eles me disseram que preferiam ser chamados de índios.

“Pelo menos nosso nome é um monumento à estupidez do homem branco”, que pensaram que eles estavam na Índia, quando chegaram na América. Ah, que insight eles tiveram sobre essa bobagem da Nova Era, sabe. Nós, os brancos, exploramos a natureza tecnologicamente enquanto os nativos dialogaram com a natureza, eles pediriam à montanha permissão para mineração blah, blah. Não é verdade. Pesquisas nos mostram que os nativos, os índios, mataram mais búfalos e queimaram muito mais florestas que os brancos. Você sabe por que esse é o ponto correto. A coisa mais racista é, arrogantemente, nos elevar em relação àquele jeito primitivo, orgânico, de viver em harmonia com a Mãe Natureza. Não, eles têm o direito fundamental de ser maus também. Se nós podemos ser maus, porque eles não poderiam? Por fim, repito, mesmo se tratando de racismo, temos que ser muito precisos para não lutar contra o preconceito de um modo que, eventualmente, reproduza as condições para o racismo.

SLAVOJ ŽIŽEK
Slavoj Žižek é um filósofo esloveno e um crítico cultural. É professor da European Graduate School, diretor internacional do Instituto Birkbeck para as Humanidades, no Birkbeck College, University of London, e pesquisador sênior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Eslovênia. Entre seus livros, Living in the End Times, First as Tragedy, Then as Farce, In Defense of Lost Causes, 4 volumes do Essential Žižek, e Event: A Philosophical Journey Through a Concept.

Vídeo “Capitalismo e Democracia estão destinados a se divorciar”

*Beia Carvalho é palestrante e trata fundamentalmente de inovação.

* Publicado originalmente no CEOlab.

Capricornio PB

{ 0 comments }

Onde não há lugar para Deus


Onde não há lugar para Deus, também não há lugar para as suas criações, inclusive o ser humano, dizia um antigo monge. Ao longo de toda a história da Civilização Universal, e até onde se sabe, todas as nações que abandonaram suas crenças em Deus, passando a priorizar o viver segundo suas próprias definições, não lograram êxito e acabaram sucumbindo, terminando em uma menção histórica, se muito.

Até hoje nos perguntamos o que teria acontecido com os maias, incas, astecas, mesopotâmicos, persas, egípcios, assírios, gregos, romanos, etc. O fato é, em comum, todos eles resolveram abandonar os preceitos divinos que eles mesmos haviam adotado e construído e naufragaram, ou melhor, encolheram até sumir. Claro que ainda existem países como a Grécia e o Egito, mas eles pouco ou nada têm a ver com as grandes civilizações que foram um dia, milênios atrás.

Nasci em um lar simples onde não havia grandes influências religiosas. Meus pais, quando perguntados sobre isso, declaravam-se católicos. De todo, isso não estava errado, pois tinham lá suas participações. Guardavam os chamados dias santos (hoje feriados religiosos), não comiam carne na Semana Santa, assistiam a Missa do Galo no Natal, uma vez por ano iram até Aparecida do Norte para receber a benção e mantinham um exemplar em forma de imagem da Nossa Senhora Aparecida em casa.

No Natal, como já mencionei aqui, meu pai, com suas habilidades incomuns, construía lindos presépios. Eles viravam minha principal diversão na chamada semana natalina, pois eu me integrava aquele cenário imaginando estar ali de verdade.

Através de minha família, com todas as contradições que podia haver em seu seio, aprendi os valores espirituais e a respeitar a Deus e seus mandamentos. Boa parte do fato de ainda estar vivo e mantendo certo equilíbrio, devo às minhas crenças em Deus, Jesus, Bíblia e todos os preceitos que eles me ensinaram.

A partir da pré-escola, até o fim do curso primário frequentei escolas católicas, com exceção de um ano, quando minha mãe resolveu imitar uma amiga pedante e me colocou no Liceu Pasteur, o que acabou se transformando numa tragédia à minha vidinha na época. Depois fui para uma escola estadual, e mesmo não tendo compromissos religiosos, tive meus preceitos divinos preservados. Durante mais de vinte anos de vida, nunca duvidei da existência de Deus. Independente de frequentar alguma igreja, fazia minhas orações antes de dormir e/ou antes de levantar, pedindo a benção de Deus, Sua proteção para todo mundo que conseguia lembrar e terminando com uma benção geral. Vivia sob a orientação da Lei de Deus, com absoluta convicção de que matar, roubar, mentir, adulterar, enganar, etc., eram equívocos transcendentais.

Se não me falha a memória, só fui questionar a existência de Deus quando já cursava a faculdade. Mesmo assim atravessei esse período saindo do outro lado mais convicto ainda de que o Criador e seu Filho Redentor eram reais. Lembro que era raríssimo alguém pensar diferente disso. Havia a pluralidade de religiões, mas isso não mudava muito essa realidade. A guerra travada por cristãos e protestantes na Irlanda nos chocava e não podíamos entende-la. Quando estudei os períodos históricos com tantas guerras e mortes protagonizadas pelas diferentes igrejas, percebi como era importante preservar uma fé apolítica e isenta dos interesses mercantilistas.

Vivíamos em mundo onde era muito mais fácil lidar com os dissidentes. Havia mais segurança, ninguém questionava e muito menos obstava a educação. Cuidar da saúde era imprescindível e nossos hospitais eram absolutamente humanizados. Ainda assim reclamávamos deles. Mal sabia o nos esperava nos dias em que vivemos.

Até hoje tenho dificuldade em não praticar as minhas devoções de fé. Nem mesmo a morte de um filho amado conseguiu me roubar a fé. Arranhou, machucou, mas sobreviveu. Lembrei de um salmo que sempre citava: “Deus chora a morte de cada um de seus filhos”. Então percebi que Ele estava chorando a morte de meu filho tanto quanto eu. Se os carrascos de meu filho confiassem mais em Deus do que em sua medicina experimental (aliás não existe outra), talvez meu filho ainda estivesse ali atrás de mim ouvindo e dançando ao som do Super Tramp e do Queen.

Creio não errar se disser que nos, enquanto nação, livramo-nos de Deus e o que estamos vendo não é legal. Nunca, muito menos proporcionalmente, matou-se tanto quanto em nossos dias, seja lá de qual forma for. As guerras eram localizadas (Coréia, Vietnam e Irlanda), mas foram se multiplicando e hoje elas estão por todo lado, inclusive aqui no Brasil, onde jogávamos futebol e sambávamos, apenas. Atualmente, vivemos em um dos países onde mais pessoas são mortas durante o ano, dentre todos os países existentes. Fora outras calamidades mortais.

Lembro que nas décadas de cinquenta, sessenta e setenta, nossos políticos começavam os dias santos ou comemorativos assistindo à missa (ou o culto, no caso de um presidente que era protestante). Esses caras ainda tinham vergonha de mentir, roubar e adulterar ainda podia render-lhes perdas eleitorais. Atualmente, coisas como um certo ex-presidente apregoando que uma mentira depois de repetida diversas vezes acaba virando uma verdade, viraram coisa corriqueira. Eles mentem deslavadamente, roubam o erário público, desfilam com suas amantes abertamente e fazem orgias na terra, no ar e no mar.

Não há lugar para Deus, mais. As igrejas tornaram-se inócuas, perdendo-se em loquacidade frígidas e desviando-se de seus preceitos originais, enquanto seus líderes praticam extorsões do povo crédulo, aos montes. Clérigos são descobertos praticando pedofilia todos os dias, enquanto outros praticam a pederastia orgíaca. Essas práticas não são privilégios de nenhuma religião em especial, mas de todas em geral, salvo algum engano.

Arrisco dizer que não temos futuro sem Deus. Nada será resolvido, muito menos sanado, dentre todas as nossas mazelas. Muito provavelmente, os problemas se agravarão tornando-se insuportáveis. Nenhuma sociedade sobreviveu sem Deus e seus preceitos e nós não seremos os primeiros.

Nossa única alternativa é limpar o templo de todas as abominações, e falo do nosso templo espiritual e individual, antes de mais nada. Mas os líderes de todos os segmentos em especial precisarão deixar o pecado e voltar-se para Deus, antes de mais nada, bem como todos os demais. Depois virá a redenção intelectual e, por último a carnal, talvez.

Não preciso dizer que estou pessimista em relação ao nosso futuro e não vejo nada no horizonte capaz de motivar tal mudança, a não ser, algum justo e suas orações subversivas.

Deus salve a América…. do sul.

Capricornio PB


{ 0 comments }