26
Jan 15

Zelite Branca

e-a-vontade-de-estudar-1954

Por Beia Carvalho

Viver num mundo que cresce de forma exponencial é enervante, fatigante, debilitante, extenuante, árduo, exaustivo. Exige de nós, cidadãos desta nova era, muito de tudo: muito mais trabalho, muito mais dedicação, mais conhecimento e muito, muito mais estudo.

Por isso, EDUCAÇÃO é um dos 15 Desafios Globais classificados pelo mais respeitado e influente relatório sobre o futuro da humanidade, o State of the Future 2013-14*. Porque a Educação constrói uma humanidade mais inteligente, detentora de mais conhecimento e mais sábia para compreender e enfrentar os desafios globais.

Por exemplo, como vamos suprir a necessidade crescente de energia com segurança e eficiência para todos? Como equilibrar o aumento da população e recursos? Como diminuir o abismo entre pobres e ricos, e o status da mulher? Como impedir as redes transnacionais do crime organizado de se transformarem em empresas globais ainda mais poderosas e sofisticadas? Como fazer chegar água potável a todos os habitantes do planeta sem conflitos?

Quando a Educação figura ao lado de gigantescas tarefas como energia, água potável, crime organizado transnacional, dá para entender a sua colossal importância. Mas tem mais! Os futuristas ainda colocam a Educação acima delas – como um “caminho”, a chave para se chegar à solução, senão de todos, de alguns desses 14 hercúleos desafios que o futuro nos impõe.

Posto isso, eu desafio o ditado que “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Não me importa quantas mil vezes o cidadão Sr. Lula repita essa lamentável frase. “Comeram demais, estudaram demais e perderam a educação”*, ela não se tornará verdade para mim. Muito menos para o mundo que propõe o oposto. Estudar cada vez mais e interconectar conhecimentos tem a ver com as nações que querem ver seus cidadãos dando as cartas no futuro próximo.

Não se tornará verdade, talvez porque eu faça parte das “zelite branca”: sou descendente de paraibanos, índios, portugueses, alemães, árabes e judeus. Ou porque sempre fui 1a. da classe. CDF. Tirei 10 em todas as matérias do vestibular com exceção de matemática. Sou trilíngue. Estudo todos os dias. E estou estudando agora para escrever este artigo.

Boliviana carregando seu bebê vota durante eleições nacionais Boliviana carregando seu bebê vota durante eleições nacionais.

Peguei um trem em São Paulo e fui até New York por terra, nos anos 1970. Conheço 3 continentes, 30 países, centenas de cidades em todo o mundo e nunca, jamais em todos os meus 60 anos conheci uma família – nos cafundós da Bolívia, Peru; na Colômbia caótica pelos conflitos entre cartéis da droga; num El Salvador em pé de guerra; numa Belize paralisada pelos cortadores de cana; no Panamá militarizado; na “Suécia sul americana”, a Costa Rica; Guatemala e México, em todos os subempregos que tive nos Estados Unidos, e em todas as famílias que conheci na Europa, ricas, pobres e remediadas – pais que não almejassem, desejassem e se sacrificassem para dar estudo para os seus filhos. Quanto mais e melhor, melhor.

Como futurista, quero líderes que pensem nos homens deste planeta em primeiro lugar. E não em alguns poucos homens, sempre.

Senhor cidadão Lula, afasta de mim esse cálice.

NOTAS:

Obrigada, Malu Moraes, amiga, professora e cidadã guerreira pela Educação.
Relatório Anual State of the Future 2013-14

I- 15 Desafios Globais pelo relatório State of the Future 2013-14.
1. Desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas
2. Água potável
3. Equilíbrio populacional e recursos
4. Democracia
5. Previsões globais e tomada de decisões
6. Convergência global de TI
7. Abismo entre pobres e ricos
8. Ameaças na Saúde
9. Paz e Conflitos
10. Status das mulheres
11. Crime organizado transnacional
12. Energia
13. Ciência e Tecnologia
14. Ética global.
15. Educação para uma humanidade mais inteligente, detentora de mais conhecimento e sábia para compreender e enfrentar os desafios globais.

II – Estudar não é feio, artigo de Miriam Leitão, em globo.com, 17/6/2014

III –  Lula conquistou a Copa da Cretinice, artigo de Augusto Nunes, em VEJA, 18/6/2014 

IV – Cálice, Chico Buarque e Milton Nascimento

*Clonado sem nenhuma educação, digo, autorização.

Capricornio PB

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17
Jan 15

É proibido dançar II

 Postado originalmente em 16 janeiro de 2006

É proibido dançar nas igrejas protestantes brasileiras. Quem disse que ela não tem nada em comum?

Passei uma grande parte de minha vida dançando. Nos anos 60 dancei muito nos famosos bailes de formatura sob a música competente de Waldomiro Lenke, Edgar e os tais e Cia. No Vocacional, dançamos “O pezinho”, “Balaio” e outras danças folclóricas. Dancei nos inesquecíveis Mingaus do Clube Pinheiros, Circulo Militar e Banespa com o Kompha, Memphis, Folhas, Watt 69 e tantas bandas espetaculares. E de quebra, era sócio do Indiano onde dancei durante muito tempo, em todos os tipos de eventos dançantes. Na faculdade de Educação Física fiz parte do grupo de dança folclórica Lituana. Além de tudo isso, frequentava os incontáveis bailinhos domésticos onde Beatles, Jonny Rivers, Bee Gees, James Taylor, Carole King e outros davam o tom para dançarmos, sem falar das boas casas de dança espalhadas pela cidade de São Paulo. Tudo isso aconteceu até meados de minha conversão ao protestantismo evangélico.

Dançava porque a dança representava a alegria. Com ela comemorávamos os melhores momentos de nossas vidas. O aniversário, a formatura, o casamento, o sábado de aleluia e todos os momentos felizes de nossas vidas.

Já convertido, minha esposa e eu começamos a namorar dançando no Wiskadão, boate lá na Ilha Pochat. Depois disso, só dançamos em festas de aniversário da família e raramente.

Assim, graças ao cristianismo niilista, a dança saiu de minha vida. Não dançar era melhor do que o sentimento de culpa, depois.

Na verdade, nunca entendi o porquê dessa proibição, nas Igrejas. Suspeito de algo relacionado ao contato físico e seus desdobramentos entre os dançantes, mas ai, como os casais fariam para encomendar seus bebes, inclusive o casal pastoral? Não deve ser essa a razão. A relação do casal na intimidade de seu quarto não é uma dança? Ah, mais ninguém está vendo. Sei lá.

Segundo me disseram, o Frei Rosário, lá da Igreja do Jardim Prudência, gostava de dançar, se bem que com os meninos, preferencialmente. Os Rabinos costumam dançar. Em Israel, dança-se até não poder mais. Em Igrejas americanas a realização de bailes para os jovens é comum. Em Portugal, pasmem, dançam por todos os lugares.

O pior é ficar vendo dança em tudo e em todo lugar. Vejo os pássaros em sua dança diária, os animais dançando por pura diversão, os trabalhadores da fábrica dançando, os negros na África do Sul, cristãos na maioria, dançando na alegria e na tristeza, na época do Apartheid. Até os cristãos dançam, só não vale homem com mulher juntinho. Lembra sexo? Não, deve ser outra coisa.

Dizem os mais entendidos, em vários textos onde se lê: “Vamos cantar e adorar” suprimiram o “vamos dançar”. Mas, eu não acredito nisso.

Talvez, Davi tenha cometido um grande desatino ao dançar em plena rua e sob o olhar de reprovação de sua esposa. Não sei se a proibição é em relação à dança ou condena-se a alegria.

Fico imaginando o Pastor niilista chegando no céu. Eu sou o Pastor Jon… dos… Eu nunca dancei na vida. Nunca permiti às minhas ovelhas e meus filhos dançarem. Ai Pedro lhe responde: é mas, você dançará agora!

No entanto, apesar de meu sentimento de frustração, para a Igreja protestante brasileira, é proibido dançar.

Capricornio PB

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12
Jan 15

Não Matarás, se não pretende morrer

Terrorista deixa cair tênis ao sair do carro para matar

Oia, “Não Matarás, se não pretende morrer” é mandamento da Lei de Deus, portanto, e antes de mais nada, meu negócio é a favor da vida. Quando Jesus foi crucificado ao lado de dois ladrões, o pecado cometido pelos romanos contra os três, devidamente apoiados pelos sacerdotes judeus, foi o de matar.

O mandamento divino é: “Não matarás”.

Mas isso é só o começo das dores. O legal dos mandamentos, inclusive esse “Não Matarás” é o fato deles nos remeterem a uma reflexão constante, um pouco na base da manipulação culposa, reconheço, mas capaz de nos ajudar a abraçar o lado pacífico e construtivo das causas.

Com toda a certeza, nenhum de nós sabe exatamente o que está acontecendo por trás desses acontecimentos. Esses caras são todos ilusionistas profissionais e estão certos de que todos nós acreditaremos naquilo que conseguirmos ver.

As conclusões nesse e em todos os casos conhecidos se baseiam no “show”. Então, quando você e eu não tomamos partido precipitadamente, quando buscamos entender o que está de fato acontecendo, ao invés de sair por aí cometendo o mesmo erro que acabamos de condenar. Qualquer dúvida, vide os casos do assassinato de John F. Kennedy e o ataque ao World Trade Center, por exemplo. Mas faça isso com isenção, desarmado e pronto para surpreender-se caso descubra que nada foi o que pareceu ser.

Atitudes equilibradas e pacíficas, além de eficazes, poderão nos conduzir em uma vida de paz e no porvir à vida eterna, segundo nos ensinam os textos sagrados das escrituras.

No caso recente, na França, terroristas (incluindo mandantes, independente da origem) pecaram e não importa o que faziam as vítimas. A seguir, as tropas francesas (polícia, exército, etc…) pecaram ao matar os suspeitos e ponto.

Ninguém tem permissão e/ou prerrogativa divina para matar, seja lá quem for. Será sempre assassinato e pecado. O pecado é consequencial, gera culpa e a culpa mata, mais e melhor do que terroristas.

O mérito das questões deveria ser tratado em outro departamento, provavelmente no andar de cima, salvo engano.

Capricornio PB

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08
Jan 15

A inevitável arte de aniversariar

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A inevitável arte de aniversariar contém em sua definição a inescapável e compulsória certeza de vive-la ano após ano, quase sempre como um dia para esquecer. A não ser que você tenha parentes minimamente legais e um ou outro amigo, ao menos, fora a sua família nuclear, obviamente.

Neste mesmo dia, em 2009 escrevi:

“Enfim, o ano começou e segue seu curso inexorável. Hoje é o último dia de mais um ano e amanhã o primeiro do resto de minha vida. Estranho, pois não tenho uma ideia completa e definida sobre o que farei. Apenas alguns vagos lampejos, ora mais claros ora obscuros. Continuarei insistindo com a consultoria, desenvolver o Projeto Coração Valente e voltar a tratar os Dependentes Químicos. A D. Arlete gostará de saber dessa última parte. Estaremos em nossa cidade, isso será bom. Não me peçam detalhes, o certo é, eles ainda não chegaram a um tamanho que nos permita divisá-los…

…Sem promessas de ano novo. Serei eu mesmo, sempre que possível. Tentarei decepcionar menos e ser mais generoso com todos. Talvez descubra, daqui um ano, pelas estatísticas, ter falado em quantidade menor e ouvido mais. Quem sabe consiga ajudar abundantemente, ser ajudado raramente e aparecer suavemente, seja por onde for. De Deus, receberei o presente de ser e existir, até quando lhe convier…

…Se der, viajarei. Andarei além e retornarei para confirmar que o melhor lugar é mesmo a minha casa. Mas não creio que chegarei nem perto do Polo Sul, muito menos do seu oposto. Gostaria de navegar por aí, voar sentindo o prazer da liberdade e sonhar muito, mas menos em relação ao fazer. Se tiver um teto sobre as nossas cabeças, o que comer, um fusca em bom estado e roupas nas gavetas, com minha esposa feliz pelos cantos da casa, os meus filhos à roda de nossa mesa, sob o som estridente dos gritos dos meus netos, venderei tudo e darei a troco disso. Feliz serei e abençoado homem temente a Deus, continuarei….

…Se ninguém escrever uma linha, quiçá uma palavra, terei me bastado como sempre foi. Deus salve a vida e os dias dela”.

Insisti com minhas propostas descritas acima, até aqui. Mas devo confessar: um homem de minha idade fará melhor se debruçar sobre a tarefa de escrever suas memórias e poesias, se puder, pintar suas imagens, plantar e cuidar de um jardim e prometer não conversar com estranhos na fila do caixa do supermercado ou qualquer outra fila. Quanto aos demais parágrafos, me parece formarem uma proposta com a qual me sentiria muito bem em conviver, nesse ano também. Talvez deva acrescentar o propósito de tentar descobrir o que é amizade. De repente alguém me faz essa pergunta de novo e, então, ser capaz de responder.

No mais, é manter o que sempre fiz: ler a Bíblia, orar, tomar a ceia do Senhor, de preferência secretamente, em uma igreja qualquer, visitar alguma exposição de pinturas que possa surpreender, continuar a ler em todas as oportunidades e, caso tenha a sorte de ter com quem jogar conversa fora, de vez em quando, não perder essa oportunidade. Caso venha a ter netos, algumas dessas possíveis atividades perderão a vez para eles, seguramente.

Sei que você gostaria de me dar um longo e fortíssimo abraço hoje, daqueles de tirar o fôlego, seguido de um sincero desejo de muitas alegrias em minha vida, mas não pode fazê-lo por razões óbvias, como sempre. Não faz mal. Se não foi a primeira vez, também não será a última, acredito.

Capricornio PB

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07
Jan 15

A Pobreza da Prosperidade

A pobreza da prosperidade, nos moldes cantados e pregados pelos “teólogos” da prosperidade é patente.

Eu tinha um amigo, lá pelos idos da década de 70, considerado o maior vendedor de carros de Santo Amaro. Ele não era uma pessoa comunicativa. Sua característica mais visível era o alcoolismo. Todos os dias, lá pelas 14 ou 15 horas, sentava na poltrona de seu escritório e enquanto os presentes falavam, ele dormia, chegando a roncar. Entretanto, era inacreditável como os negócios da loja dele prosperavam, apesar do pai, mesquinho, fazendo de tudo para impedir o sucesso das compras e vendas.

Não havia ali nenhum princípio de administração ou economia. Mas, o dinheiro entrava. Com ele ou sem ele, bêbado ou sóbrio, com seu pai ranzinza ou o que fosse, tudo contribuía para o fluxo positivo em seu caixa.

Nos anos 90 tive o privilégio de conviver com um dos grandes adeptos da doutrina da prosperidade, um Pastor português e presidente de uma grande Igreja de abrangência transcontinental. Passei um mês com ele em Portugal, trabalhando diariamente no processamento de dados, proveniente das suas Igrejas. Sua característica mais importante era o trabalho. Com ele não havia horário e tempo adequado para trabalhar. Trabalhávamos de dia, de noite, de madrugada e só parávamos quando a sua esposa lembrava-lhe que precisávamos descansar. Nunca descobri em que horas ele dormia.

Aprendi com ele todos os versículos e passagens bíblicas interpretadas como suporte às doutrinas da prosperidade. Não é preciso ser expert em Teologia para perceber onde ele e todos os outros teólogos da prosperidade erram. É na hermenêutica, óbvio, detalhe que eles desconhecem.

Mas o que mais me chama atenção é perceber que esses dois senhores, embora nunca tenham se conhecido, eram prósperos financeiramente e estavam muito longe de uma prosperidade real. Os dois tinham em comum certa tristeza interior, uma insatisfação jamais suprida e viviam tentando supri-la com mais dinheiro. Eles nunca entenderam a proposta de riqueza moral de Jesus Cristo. Buscaram a prosperidade empobrecedora.

A pobreza dessa “Prosperidade” está na individualização do ser humano. Para prosperar financeiramente é preciso ser incapaz de perceber as outras pessoas ao nosso lado, pois é delas que virá nosso dinheiro. É preciso vê-las como clientes ou contribuintes, jamais como criaturas de Deus. É a AMWAY cristã.

Depois de todos esses anos e experiências boas e ruins dá para afirmar: “Só é, verdadeiramente, próspero quem tem as pessoas, ao seu lado, como amigos e irmãos. Quem tem a capacidade de sofrer suas dores e tomar sobre si, seus erros e enfermidades”

# posted by Lou @ 12:23 PM em 07/01/2006

Capricornio PB

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31
Dec 14

Expectativas para o Novo Ano


 

Entra ano, termina ano e fica aquela sensação de tempo perdido. Talvez essa seja uma das razões responsáveis por levar os especialistas em planejamento aconselharem a elaboração de um plano contendo as expectativas para o Novo Ano, ande dele começar.

Uma das expectativas cujo teor posso compartilhar com os grutenses, afinal não temos o costume de revelar nossos planos pois, segundo dizem ai pela cidade, isso dá um azar danado. Como temos forte tendência cristã, creio poder arriscar algo muito peculiar ao blog A Gruta e a todos os leitores, habituais e ocasionais. Falo da nossa antiga e desejada decisão de lançar nosso livro impresso a partir dos textos sagrados da Gruta.

Meu propósito é lançar, até o fim de 2015, dois livros ao menos, sendo um deles, o livro da Gruta, e com nome já previamente definido, ou seja: “A Gruta – Textos Sagrados”. Provavelmente, com certo componente estratégico inclusive, o livro deva ser lançado, primeiramente, em formato E-book, até meados da metade do ano. O outro livro, muito provavelmente, seja didático e conterá minhas insistentes recomendações e ensinamentos na área de Marketing e fundraising para organizações sem fins lucrativos, aproveitando a minha experiência nessa área, principalmente entre as organizações cristãs.

O primeiro será formado com os textos da Gruta, em mais de 90% de seu conteúdo, seguramente. Calculo extrair do blog três livros com tamanho entre 200 e 300 páginas cada um. Depois ainda deverá sobrar texto para uma ou duas raspadas finais, conforme ensina o Brabo, sabiamente, fora o que for sendo produzido diariamente, pois a Gruta é como São Paulo de antigamente (antes do pernicioso vento petista nos assolar), ou seja, não pode parar.

Aliás, outro propósito a interessar os leitores, é voltar a escrever com regularidade, na média de cinco ou seis postagens por semana. Com o advento do falecimento de meu filho Thomas, não apenas ele partiu, mas minha vontade e ânimo para escrever parecem ter partido com ele. Mas quero corrigir isso. Estou certo em fazer isso por mim, pelo leitor e também por ele, que sentia orgulho do pai blogueiro e, até certo ponto, com prestígio nada desprezível.

Se eu fosse você, não esperaria o novo ano chegar sem escrever um plano para ele, ainda que seja em linhas gerais. Use o OMR (objetivos, métodos e recursos), não cobrarei nada nada por isso. Presente de Natal, atrasado.

Evidentemente, até eu, o menos generoso de todos, desejo um ano novo excelente para você. Mas não se anime muito, pois imagino que se seu ano for bom ou até muito bom, de alguma forma isso será legal para mim também.

De qualquer forma, alegria, paz e prosperidade não lhe farão mal, certo? Então receba tudo isso se os céus te escolherem como receptor delas.

No mais, um beijo na careca e/ou na peruca nova.

Um imenso abraço de urso grande

Lou Mello

Capricornio PB

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25
Dec 14

E o Natal chegou de novo

Nunca será demais lembrar, a Gruta nasceu em 25 de dezembro de 2005. Imagino que todo mundo entendeu, você inclusive, a relação entre Gruta, 25 de dezembro, Natal, nascimento de Jesus Cristo, etc. Não foi planejado, aconteceu. Falo do blog, claro. Portanto, existimos A Gruta – o blog e eu no papel de escritor há nove anos, se não errei na conta. Se interessar, veja as estatísticas abaixo.

O blog não andou muito esse ano, arrastou-se. Mas falaremos disso antes do fim do ano, tendo o ano novo em perspectiva. E o Natal chegou de novo, apesar dos pesares, e não podemos ficar fora dessa, pelo menos isso.

20141225_185939Tenho em mãos o livro “O Primeiro Natal” de Marcus J. Borg & John Dominic Crossan. O primeiro a mencioná-lo para mim foi o Zenon Lotufo Jr. Depois o Paulo Brabo da Bacia das Almas fez menção acentuada no último livro dele “As Divinas Gerações“, sobretudo ao capítulo II (Parábolas como aberturas), que levou-o a escrever um capítulo inteirinho em seu próprio livro, só sobre a tese de Borg e Crossan, nessa porção.

Há uma imensa diferença entre a forma de “crer” iniciada a partir do iluminismo até os nossos dias e como as pessoas criam antes disso. Vou deixar Borg e Crossan nos falar mais sobre isso:

Com o iluminismo, surgiu uma visão de mundo muito diferente das visões pré-modernas, uma nova ontologia. Na moderna visão do mundo, o que é indubitavelmente real é o universo espaço-temporal feito de matéria e energia que opera de acordo com leis naturais de causa e efeito.

Esta visão de mundo do que é real e possível moldou os que vivem no mundo moderno, inclusive os que a rejeitam. Nós a internalizamos pelo simples fato de vivermos nesse mundo moderno; é nela que nos socializamos. E ela afeta igual: crentes e descrentes…”

Em palavras mais usuais, nós pertencemos às gerações que acreditam no factual, no que é concreto e podemos ver e tocar, com muita facilidade, e temos enorme dificuldade em lidar com o que não vemos, com as coisas abstratas, que requerem de nós fé para crer. Quando dizemos a palavra fé, a maioria das pessoas já relaciona às coisas religiosas, entretanto, o significado vai além e é bem mais abrangente.

Acho que já narrei aqui a história acontecida quando estive na Albânia em 1979, país que estava sob severo regime totalitarista de cunho marxista-leninista, como os déspotas líderes do regime gostavam de auto definir-se. Estávamos em dois brasileiros e como nosso grupo era muito pequeno, eles nos puseram no grupo dos ingleses, com cerca de trinta pessoas. Certo dia, começou uma discussão entre alguns membros do nosso grupo com os guias albaneses que estavam nos monitorando em nossas andanças por lá. O cara disse que Deus não existia e um dos ingleses rebateu dizendo que existia sim.

“Prove”, pediu o albanês.

O inglês disse: “isso está escrito na Bíblia”.

O albanês replicou: “E só porque está escrito na Bíblia, um livro escrito por homens, você acredita no que está escrito nela?”.

O inglês, coçou a barba e perguntou ao albanês: “Qual é a capital da França?”

“Paris, é claro”.

“Você já esteve na França alguma vez”?

O albanês balançou o rosto indicando que não.

“Então você também não viu Paris, certo”?

“Certo”.

“Como sabe, então que Paris existe”?

“Ora, porque está escrito nos livros de geografia do mundo inteiro”.

Então o Inglês matou a pau, perguntando: “E só porque está escrito nos livros de geografia escritos por homens que a capital da França é Paris você acredita neles”?

Nos últimos dias, vi várias manifestações nas redes sociais, alguns negando a existência de Deus, outros afirmando que Jesus era só um homem como qualquer outro, desqualificando sua ascendência divina, outros que ele nem existiu de fato, mas essa história de seu nascimento foi inventada muitos anos depois pelos evangelistas Mateus e Lucas. Bom, o livro citado acima dá boas explicações sobre tudo isso. Compre o livro e leia, para saber mais a respeito. Hoje mesmo, quando abri a página do UOL notícias, havia um link para um texto dando conta de um novo livro cujo título é: Como Jesus se tornou Deus? de Bart Ehrrman que fala exatamente do mesmo assunto tratado até aqui. Não o li, mas pela resenha percebo as muitas semelhanças.

Até na educação podemos registrar a dificuldade das pessoas em lidar com o abstrato. Vale citar Jean Piaget aqui e sua teoria de aprendizagem baseada no que ele chamou de “estágios de aprendizagem”. Adivinhe! O estágio onde o indivíduo conseguirá abstrair é o último. Lecionei em várias escolas teológicas e senti na pele a dificuldade dos alunos em abstrair. A maioria dos conceitos bíblicos são abstratos e, praticamente, a única interpretação possível dos textos bíblicos é a metafísica.

Os tais textos inventados por Mateus e Lucas sobre o nascimento de Jesus, conforme descrevem Borg e Crossan, seriam parábolas, utilizadas didaticamente para representar um conceito teológico abstrato. A ideia foi dada pelo próprio Jesus que usou desse recurso inúmeras vezes em seus discursos e/ou ensinamentos para se fazer entendido, independente delas serem factuais ou não. Evidentemente, as pessoas de nossos tempos modernos tendem a ter grande dificuldade em lidar com temas que exigem abstração. São todos “Tomés” querendo ver para crer. “Só acredito no que vejo”, vociferam. Acho que eles só acreditam no amanhã quando já é hoje, nunca antes. Provavelmente estão todos destituídos do passado, afinal não podem tocar nele. Mas é preciso misericórdia para lidar com gente assim e não é fácil.

Como ensinou o autor da carta aos Hebreus 11:01: “A fé é o firme fundamento (concreto) das coisas (abstratas) que esperamos”.

Estatísticas

Segundo o Sitemeter

Estatísticas 2014

Segundo o Stats do WordPress

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07
Dec 14

As três respostas

A narração dessa história está contida no livro
Para Viver em Paz – Thich Nhât Hanh
tradução de Odete Lara


 

Para terminar esta carta, eu gostaria de contar uma história narrada por Tolstoy, de que você e nossos amigos na Escola irão gostar. É a história das três perguntas do imperador. Ele poderia continuar a reinar satisfeito, sem o risco de cometer nenhuma falha, somente se conseguisse respostas para as seguintes perguntas:

  1. Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
  2. Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
  3. Qual a coisa mais importante a ser feita?

O imperador publicou uma declaração, dizendo dar um alto prêmio àquele que fosse, capaz de responder às perguntas. Inúmeras pessoas se dirigiram ao palácio oferecendo diferentes respostas.

Em resposta à primeira pergunta, alguém aconselhou o imperador a fazer um planejamento completo, dedicando todas as horas, dias, meses e ano a certas tarefas constantes da programação elaborada e observá-lo ao pé da letra. Só assim teria ele possibilidade de fazer cada coisa no tempo certo. Uma segunda pessoa respondeu que seria impossível planejar com antecedência, que deveria deixar todo e qualquer divertimento vão de lado e permanecer atento a tudo, a fim de saber o que fazer na hora certa. Uma terceira disse que o imperador jamais poderia, por si próprio, ter a previsão e competência necessárias para decidir quando fazer cada coisa, e que o que ele realmente precisava era constituir um conselho de sábios e agir de acordo com o que fosse determinado por estes. Uma quarta, enfim, disse que certos assuntos requeriam providências imediatas, não podendo assim esperar por de- cisão de conselho, mas se o imperador quisesse saber dos acontecimentos com antecedência, deveria consultar mágicos e adivinhos.

 As respostas à segunda pergunta também não foram satisfatórias. Uma pessoa disse que o imperador deveria depositar toda sua confiança nos administradores, outra, nos padres e monges, outra, nos médicos, e, outras ainda, nos guerreiros.

 A terceira pergunta trouxe uma variedade similar de respostas. Alguns disseram que a coisa mais importante a fazer era a ciência. Outros falaram em religião. Outros ainda achavam que a coisa mais importante era a arte bélica.

 Como nenhuma das respostas satisfez ao imperador, nenhum prêmio foi concedido.

 Após refletir por várias noites, o imperador decidiu sair à procura de um eremita que vivia na montanha, e que diziam ser um homem iluminado. Sabia-se que ele jamais deixara a montanha e não recebia ricos nem poderosos, apenas os pobres. Ainda assim, o imperador decidiu ir ao seu encontro para fazer-lhe as três perguntas. Disfarçado de camponês, o imperador ordenou aos seus criados que o esperassem ao pé da montanha enquanto ele subia sozinho.

 Ao chegar ao lugar em que vivia o eremita, o imperador viu-o lavrando a terra da horta em frente à sua pequena cabana. Ao avistar o forasteiro, o eremita acenou-lhe com a cabeça, continuando a capinar. O trabalho era bastante duro para um homem daquela idade, e toda vez que enterrava a enxada na terra, para revolvê-la, um profundo suspiro acompanhava seu movimento.

 Acercando-se dele, o imperador falou: “Vim até aqui para pedir sua ajuda. Quero que me responda três perguntas:

Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?

Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?

Qual a coisa mais importante a ser feita?”

O eremita ouviu-o atentamente mas não respondeu. Deu uma palmadinha amistosa no ombro do forasteiro e continuou seu trabalho. O imperador então disse: “Você deve estar cansado, deixe-me dar uma mão no seu trabalho”. Agradecendo, o eremita passou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar.

Depois de ter cavado dois canteiros, o imperador parou e, voltando-se para o eremita, repetiu suas três perguntas. Ao invés de responder, o eremita levantou-se e apontando para a enxada disse: “Por que não descansa agora? Eu posso retomar o meu trabalho de novo”. Mas o imperador não lhe passou a enxada e continuou a cavar. Assim se passaram as horas, até que o sol começou a se esconder atrás da montanha. O imperador colocou a enxada de lado e falou ao eremita: “Eu vim até aqui para ver se você seria capaz de responder minhas três perguntas. Mas se não puder respondê-las, por favor, me diga, para assim eu voltar para casa”.

 Levantando a cabeça, o eremita perguntou: “Está ouvindo os passos de alguém correndo ali adiante?” O imperador voltou a cabeça e, de repente, à frente de ambos, surgiu de dentro do mato um homem com longa barba branca. Ofegante, o homem tentava cobrir com as mãos o sangue que escorria do ferimento no estômago, avançando em direção ao imperador, antes de tombar ao chão, inconsciente. Abrindo a camisa do homem, o imperador e o eremita viram que ele havia recebido um corte profundo. O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para atá-la, mas o sangue empapou-a inteira depois de poucos mi nutos. O imperador então enxaguou a camisa, enfaixando a ferida pela segunda vez, assim continuando, até parar de sangrar.

Ao recobrar os sentidos, o homem pediu água. O imperador foi até o rio e trouxe-lhe uma cumbuca de água fresca. Nesse meio tempo a noite já havia descido e o frio se fazia sentir. O eremita ajudou o imperador a carregar o homem até a cabana onde o deitaram sobre a cama. O homem fechou os olhos e adormeceu.

Esgotado por ter passado o dia escalando a montanha e capinando a terra, o imperador encostou-se contra a porta de entrada e adormeceu. Quando despertou, o dia já estava claro. Por um momento, não se lembrava onde estava e para que tinha ido até ali. Esfregou os olhos e viu o homem ferido que, deitado, também olhava confuso ao redor. Ao ver o impera- dor, o homem fixou-o, murmurando com voz fraca:

“Perdoe-me, por favor”.

“O que fez você para que eu o perdoasse?” – respondeu o imperador.

“Vossa Majestade não me conhece mas eu o conheço. Eu era seu inimigo declarado e tinha jurado me vingar por meu irmão ter sido morto na guerra e por minhas propriedades terem sido confiscadas. Quando soube que V.M. vinha sozinho até aqui, resolvi surpreendê-lo no seu caminho de volta, e matá-lo. Como não consegui vê-lo após ter ficado escondido por horas a fio, decidi sair à sua procura. Mas ao invés de encontrar V.M., dei com seus criados que me reconheceram e me feriram. Felizmente consegui escapar e correr até aqui. Se eu não o tivesse encontrado, estaria certamente morto agora. Eu tencionava matá-lo e V.M. salvou a minha vida. Não tenho palavras para expressar o quanto estou envergonhado e agradecido. Se eu conseguir me recuperar, juro ser seu servo pelo resto de minha vida e o mesmo ordenarei aos meus filhos e netos. Por favor, dê-me o seu perdão”.

 O imperador sentiu uma extraordinária satisfação por ver que havia se reconciliado com um ex-inimigo, tão facilmente. Não só lhe perdoou como também  prometeu devolver-lhe todas as propriedades e mandar seu próprio médico e criados tratarem-no até que se recuperasse totalmente. Depois de ordenar aos criados que acompanhassem o homem até seu lar, o imperador voltou a ver o eremita. Queria, antes de retornar ao palácio, repetir suas três perguntas, uma última vez.

Encontrou o eremita agachado, semeando a terra que haviam preparado no dia anterior. Este, após ouvir novamente as perguntas do imperador, disse:

“Mas suas perguntas já foram respondidas”.

“Como assim?” – indagou o imperador intrigado”.

 “Ontem, se V.M. não se tivesse compadecido de mim e me ajudado a cavar a terra, teria sido assassinado por aquele homem ao voltar para casa. Portanto, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve cavando os canteiros, a pessoa mais importante fui eu, e a coisa mais importante a fazer foi me ajudar. Mais tarde, quando o homem ferido apareceu, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve tratando de seu ferimento, pois sem seu socorro ele teria morrido e V.M. teria perdido a chance de reconciliar-se com ele. Da mesma forma, ele foi a pessoa mais importante, e a coisa mais importante foi cuidar de seu ferimento. Lembre-se de que só existe um tempo importante e esse tempo é o agora. O presente é o único tempo sobre o qual temos domínio. A pessoa mais importante é aquela que está à sua frente. E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz”.

Quang, a história de Tolstoy parece tirada das escrituras budistas. Nós falamos em serviço social, serviço pela humanidade, serviço para aqueles que estão distantes da gente – mas, muito frequentemente, esquecemos que em primeiro lugar devemos viver pelas pessoas que estão ao nosso redor. Se você não pode ajudar sua esposa, seu filho, como vai ajudar a sociedade? Se você não é capaz de fazer seu filho feliz, como será capaz de fazer os outros felizes? Se nós todos que servimos na escola da Juventude não amarmos e ajudarmos uns aos outros, a quem poderemos amar e ajudar? Estamos trabalhando pelos homens, ou pelo nome da organização?

Serviço social. A palavra “serviço” tem uma amplitude imensa. A palavra “social” também. Retornemos antes de tudo a uma escala mais modesta: nossas famílias, nossos colegas, nossos amigos, ou nossa comunidade. Temos que viver por eles, pois, se não vivermos por eles, por quem mais haveremos de viver?

Tolstoy é um Bodhisattva. Mas terá o imperador sido capaz de ver o sentido e direção da vida? Como podemos viver o presente, viver o aqui e agora com as pessoas que estão à nossa volta, ajudando-as a diminuir seus sofrimentos e tornando-as felizes? Como? A resposta é esta: temos que exercitar a prática de alertar a mente. O princípio dado por Tolstoy parece fácil; mas se quisermos colocá-lo em prática, a fim de encontrar o Caminho de Buda, precisamos fazer uso dos métodos para alertar a mente.

 Quang, escrevi estas linhas para uso dos amigos. Existem muitas pessoas que escrevem sobre essas coisas sem as ter vivido, mas eu anotei as que eu mesmo vivi e experimentei. Espero que elas possam, de algum modo, servir para você e nossos amigos, ao longo do caminho que percorremos: o caminho do retorno.

Thich Nhât Hanh

morcego-12

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06
Dec 14

Roubaram nossa educação pública de qualidade

 

Então, hoje o recado não vem da padaria.

Participei, nesta tarde, do encontro de fim de ano dos ex-alunos dos Ginásios Vocacionais, escolas estaduais que funcionaram entre a década sessenta e o início dos anos setenta, século passado, sob direção do SEV (Serviço de Ensino Vocacional) e capitaneado pela saudosa Professora Maria Nilde Mascellani, na capital e em cinco cidades do interior de São Paulo. Elas foram brutalmente extintas pela ditadura militar sob a acusação de prática de subversão e a Profª Maria Nilde e várias pessoas foram presas e torturadas nos calabouços do DOPS.

Durante o encontro de hoje, um dos ex-alunos tomou a palavra e declarou ter sofrido brutal violência com o fechamento do ginásio vocacional de Americana, onde ele estudava e, no seu entender, o estado deveria nos recompensar de alguma maneira por essa violência. Tudo o que nós presenciamos em nossos dias naquelas escolas foi um ensino público de inigualável qualidade jamais visto antes e muito menos depois daquela experiência. Talvez aquela ditadura, como a que está se formando nos dias presentes, tivesse horror a uma educação dessa qualidade, sobretudo porque ela exaltava o livre pensar, a participação, a pesquisa, trabalho em grupo e o relacionamento verdadeiramente democrático, considerando tudo isso uma inaceitável “subversão”.

Em minha opinião, a mensagem de nosso colega, na prática, foi: Roubaram nossa única possibilidade real de uma educação pública de qualidade. Todos os alunos que frequentaram e formaram sua base escolar nos Vocacionais, nossos professores, orientadores e funcionários foram vítimas do Regime Militar Ditatorial, que com aqueles atos de violência e desatino nos causaram dano moral e psicológico irreparáveis. Fora o fato de terem privado todas as gerações posteriores de um ensino que poderia tê-las propiciado uma educação de altíssima qualidade, sem custo algum.

Claro que nos caberia indenização em alguma forma. À saída, cruzei como o corajoso ex-aluno do vocacional de Americana e troquei algumas palavras com ele, de concordância, e aproveitei para sublinhar que uma indenização possível e satisfatória seria a devolução dos Ginásios Vocacionais ao povo, até hoje em poder do estado, utilizados para a prática do ensino caótico e ineficiente que proporciona em nossos dias às nossas crianças e nossos jovens.

Anistiaram os políticos cassados, indenizaram as vítimas de tortura e/ou familiares, mas não lembraram de nós, até hoje, tão vítimas quanto, da nefasta ditadura que nos assolou naqueles anos.

Infelizmente a memória curta do povo e, principalmente, dos meios de comunicação não está ajudando nosso povo nos dias atuais, quando aqueles horrores estão nos rondando novamente, via esses cretinos ávidos por implantar mais um regime totalitário em nosso país. Eles não fazem a menor ideia do que os espera e do que estão plantando.

Enfim, ganhei meu brinde no sorteio e, embora tenha tido grande prazer em rever alguns dos meus colegas dos Vocacionais, senti certa tristeza por não ter encontrando com tantos outros que não apareceram. Alguns que até confirmaram presença, inclusive. Pena.

A todos, um beijo em suas carecas e perucas.

morcego-12

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01
Dec 14

Chespirito, o Shakespeare Asteca

 

 

 

Nos papéis de Chaves e Chapolim Colorado, Roberto Bolaños arrebentou mitos e paradigmas das comunicações, alcançando o que todos os atores, diretores, produtores e militantes da TV desejariam alcançar, mas não conseguiram.

Sua projeção ultrapassou todos os limites imagináveis, mais do que isso, conseguiu entrar no coração de milhares e milhares de crianças e adultos.

É um dos maiores paradoxos da história da TV, pois exaltando a simplicidade com humildade e respeito aos seus telespectadores chegou ao cume da audiência e do sucesso, sem se locupletar por tanto.

Talvez morrer agora tenha sido seu ato de mestre, no momento em que alguns dos países que lhe deram sua maior audiência (México, Brasil, etc.) patinam em um mar de corrupção, violência e ganância desmedida, aspectos que Roberto soube manter bem longe de seu trabalho magistral.

E olha que aqui no Brasil seu trabalho foi sabotado e nem conhecemos boa parte do que ele produziu, eu que o diga. Meu filho Thomas precisou dar nó em pingo d’água para conseguir dezenas de capítulos que nunca foram ao ar por aqui e os distribuiu pelo método formiguinha entre os amigos e a quem os solicitava, sem obter lucros pessoais com isso.

Bem fizeram os seus fãs mexicanos em lhe darem o título de Chespirito (o Shakespeare asteca).

morcego-12




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Contratado por Lou Mello · Desde dezembro de 2005 · Sobre o autor e a Gruta · Leia um livro · Veja as fotos · Vasculhe nossos arquivos · A amizade é a mesma, no twitter, no Flickr, no Google+ e até no Facebook · Assine com RSS · Fale comigo · A Gruta informa que ao ler esta página você se compromete contratualmente a concordar com a totalidade do seu conteúdo, obrigando-se ainda a alinhar suas crenças e prioridades às nossas; subscrever todas as nossas opiniões e juízos; acalentar, fomentar, promover e maravilhar-se diante da lucidez de tudo que dizemos até o fim dos seus dias. (Parcialmente copiado e melhorado consideravelmente, digo, clonado do rodapé do Blog Bacia das Almas)